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Enoturismo e valor: como a Guaspari dita o padrão de trade na Mantiqueira

Com 60% do faturamento concentrado no canal direto e produção anual de 150 mil garrafas, vinícola lidera o "Golden Rush" da Serra da Mantiqueira e descarta vinhos de baixo custo devido ao rigor da dupla poda

17 de abril de 2026
Enoturismo e valor: como a Guaspari dita o padrão de trade na Mantiqueira

Enquanto o mercado brasileiro de vinhos busca caminhos para enfrentar a volatilidade do consumo, a Vinícola Guaspari consolida um modelo de negócio baseado em exclusividade, controle de canal e valor agregado. Em entrevista ao Wine Trade News, o CEO Paulo Brammer detalhou a operação que transformou Espírito Santo do Pinhal no epicentro de um fenômeno regional: em um raio de 100 km, já são mais de 80 projetos ativos seguindo os passos da pioneira da Serra da Mantiqueira. "Estamos vivendo um verdadeiro 'Golden Rush' na Serra da Mantiqueira", celebra o executivo. O grande trunfo financeiro da Guaspari em 2026 reside na sua independência de intermediários em mercados-chave. Aproximadamente 60% do faturamento da empresa é gerado via Direct-to-Consumer (DTC), através do projeto Cellar Door, que integra restaurante, loja e as experiências de enoturismo.

No principal mercado do país, a capital paulista, a vinícola opta pela venda própria, sem distribuidores. A estratégia permite o controle total da margem e da imagem da marca, destinando os 40% restantes da produção ao canal PJ (Hotéis, Restaurantes e Supermercados de luxo).

**Terroir de Precisão e Escala High-End **Com 53 hectares produtivos e capacidade para chegar a 60 ha, a Guaspari estabilizou sua produção em 150 mil garrafas por ano. O volume é estratégico: grande o suficiente para capilaridade no high-end, mas restrito o bastante para manter o status de objeto de desejo. Brammer reforça que o custo operacional da técnica de dupla poda (colheita de inverno) estabelece um "piso" de preço que inviabiliza o mercado de massa. Atualmente, a escada de preços da vinícola é rigorosa: Linha de Entrada: A partir de R$ 150. Linha Vista (Intermediária): Entre R$ 250 e R$ 400. Rótulos Ícones: Acima de R$ 600.

**O Futuro: IG e Digitalização 2026 **Apesar do crescimento regional, Brammer prega cautela quanto à criação de uma Indicação Geográfica (IG). Para o executivo, o selo depende de uma padronização rígida entre os produtores locais, processo que deve amadurecer nos próximos cinco anos. No horizonte imediato, o foco da Guaspari é a digitalização total da marca, prevista para ser concluída ainda em 2026, e a estruturação de um plano tático de três anos para a expansão internacional, que hoje conta com uma presença pontual no Reino Unido.

**O Enoturismo como Pilar de Conversão e Margem **Para a Guaspari, o enoturismo transcende a hospitalidade e se consolida como a engrenagem vital de seu modelo de negócio. Aproximadamente 60% do faturamento da vinícola é capturado no canal direto através do Cellar Door, projeto que integra restaurante, loja e as experiências imersivas em Espírito Santo do Pinhal. Essa estratégia permite que a marca capture o valor total do produto, eliminando intermediários e fortalecendo o branding em um ambiente controlado. Como destaca o CEO Paulo Brammer: "O projeto Celador não é apenas hospitalidade; é a nossa principal âncora comercial. Hoje, 60% do nosso faturamento vem do canal direto, onde a experiência local transforma o visitante em um embaixador da marca." Mais do que uma visita técnica, o enoturismo da Guaspari funciona como uma ferramenta de fidelização extrema, onde o contato direto com o terroir vulcânico justifica o ticket médio elevado e solidifica a percepção de prestígio que sustenta a liderança da vinícola no mercado nacional. GUASPARI - PAULO VINHO VERTICAL - FRAME 17.png

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