Casa Tés: o “Terroir-Vale da Grama” de Pedro Testa que mira a elegância de Saint-Émilion
Com consultoria de Pierre Lurton (Cheval Blanc) e foco em alocação direta, o advogado Pedro Testa investe na Serra da Grama para criar um ícone de "mínima intervenção" e produção limitada
No universo jurídico, Pedro Testa construiu uma carreira de sucesso. No entanto, é na Serra da Grama — um microclima específico dentro do ecossistema da Mantiqueira — que ele executa seu projeto mais ambicioso. A Casa Tés não nasceu para ser apenas mais uma vinícola de colheita de inverno; nasceu com a missão declarada de "traduzir" um vale e o sonho de seu fundador de reproduzir em solo paulista a elegância e a longevidade do icônico Cheval Blanc. Para transformar essa visão em líquido, Testa não poupou esforços no suporte técnico. O projeto conta com a consultoria de peso de Pierre Lurton, gestor dos lendários Château Cheval Blanc e Château d'Yquem, que traz o DNA da elegância bordalesa para a Serra da Grama. Somado a ele, o sommelier Massimo Leoncini atua como um pilar de curadoria e validação, garantindo que o perfil dos vinhos — focados em frescor e mínima intervenção — encontre seu lugar no topo da pirâmide do mercado de luxo.
O intercâmbio com Xavier Choné, especialista global em solos, completa o time que deu à Casa Tés o apelido de "vinícola de garagem" com orçamento de gigante. O foco é o "terroir-roça" do Vale da Grama: um solo vulcânico e granítico que, nas mãos desse time, busca entregar vinhos com menos maquiagem de madeira e mais pureza de fruta.
Modelo de Negócio: Alocação e Escassez Estratégica
Diferente da escala comercial de concorrentes da região, a Casa Tés opera sob a lei da escassez. Com uma produção máxima de 20 a 24 mil garrafas por ano, a vinícola não busca as gôndolas do varejo. Seu modelo é a alocação direta: uma lista de mais de 5.000 entusiastas que recebem o direito de compra. Este modelo permite sustentar preços na casa dos R$ 500, equiparando-se aos grandes rótulos importados. A disciplina é tanta que a marca prefere o "silêncio" ao erro: em 2023, um ano climático difícil, o rótulo principal Casa Tés não foi lançado, dando lugar ao Grama, uma decisão que reforça o compromisso com o colecionador.
**Reconhecimento Internacional: O Selo de Qualidade **O esforço tem colhido frutos em Londres e Paris. Recentemente, a Casa Tés brilhou no Decanter World Wine Awards, com o Casa Tés Syrah alcançando 92 pontos (Medalha de Prata), uma nota altíssima para um projeto tão jovem. Além disso, a vinícola recebeu destaque no Guia Descorchados, sendo apontada como uma das revelações do ano pelo seu frescor e acidez vibrante, características raras em vinhos de climas mais quentes. "Nosso verbo não é ‘vinificar’. É ‘traduzir’. Eu não me coloco como vinho de inverno ou da Mantiqueira; eu me coloco como Casa Tés", afirma Pedro Testa, sublinhando a independência de sua marca.
**O "Bordeaux Branco" da Mantiqueira **Se nos tintos a inspiração é Saint-Émilion, nos brancos a Casa Tés olha para o frescor e a estrutura de Graves e Pessac-Léognan. O grande destaque recente é o Casa Tés "Grama" Branco, um blend de Sauvignon Blanc e Sémillon. Diferente dos brancos tropicais e exuberantes, este vinho busca uma elegância austera e uma textura cremosa. O rótulo foi recentemente premiado com 92 pontos no Guia Descorchados 2024/2025, sendo aclamado como um dos melhores brancos da região. A presença da Sémillon (cerca de 20-30% do corte) confere ao vinho um potencial de guarda e um volume de boca que equilibra a acidez cortante da Sauvignon Blanc colhida precocemente, reforçando a tese de Pedro Testa de que a Mantiqueira pode produzir vinhos brancos com complexidade de "velho mundo".
Sem Enoturismo
Ao contrário de seus vizinhos regionais, o enoturismo não faz parte da estratégia da Casa Tés. Pedro Testa é enfático ao dizer que não deseja um modelo massificado. Se a hospitalidade vier a existir, será uma experiência ultra-exclusiva, desenhada para quem já pertence ao ecossistema de alocação da marca, mantendo a aura de santuário técnico da Serra da Grama. Um exemplo recente dessa exceção foi o privilégio concedido à primeira turma do curso introdutório do Master of Wine no Brasil, realizado pela Enocultura. Pedro Testa deu todo apoio logístico para que os 20 alunos e os Masters of Wines Marina Gayan e Demetri Walters fossem recebidos para uma visita técnica e degustação das principais safras da casa Tes.
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