Vinessence completa um ano com foco no on-trade
Importadora de Mariano Levy, Massimo Leoncini e Daniela Ferreira soma mais de 300 restaurantes parceiros e apresenta portfólio de 120 rótulos em seu primeiro evento público.

A Vinessence, importadora fundada por Mariano Levy e Massimo Leoncini, completa um ano de operação e realizou nessa terça, dia 1, seu primeiro evento público, no restaurante Zuco, nos Jardins, em São Paulo, para apresentar ao mercado o portfólio reunido ao longo dos últimos doze meses. A empresa já soma parceria com mais de 300 restaurantes, número que reforça o posicionamento declarado desde o início: atuação concentrada no canal on-trade, com pouca ou nenhuma presença no varejo de grande volume.
Levy é um empresário argentino radicado no Brasil desde 2002, com forte atuação no mercado de vinhos. Cofundador da Grand Cru, ajudou a expandir a operação para cerca de 130 lojas no país antes de vender o negócio à Evino em 2022, quando iniciou um período de reflexão estratégica sobre os próximos passos da carreira. Após deixar a Berkmann, onde atuou por um período mais recente, passou a se dedicar integralmente à Vinessence, fundada em 2025. Leoncini, por sua vez, é sommelier italiano com passagem por casas de referência como Fasano, Grand Cru e Grupo St Marche, reconhecido pela curadoria precisa e pela sensibilidade gastronômica, tendo sido eleito Sommelier do Ano pela Veja São Paulo em 2014. Hoje concilia a operação da importadora com o trabalho ao lado de Pedro Testa na Casa Tès, projeto de enoturismo do qual também participa.
A escolha por não atender grandes redes de varejo é, segundo os sócios, uma decisão estratégica. "Você pode até ter um pouco de off-trade, mas não dá para fazer os dois ao mesmo tempo sem que um acabe brigando com o outro", afirma Mariano Levy, explicando que a convivência entre os canais tende a gerar conflitos de preço, com liquidações agressivas, como descontos de 50% a 70% em datas como a Black Friday, que prejudicam tanto o posicionamento das marcas quanto a relação com os restaurantes que compram com regularidade e pagam preço cheio.
O portfólio da Vinessence reúne hoje 120 rótulos distribuídos entre 24 produtores, com volume de comercialização entre 30 mil e 40 mil garrafas por mês. A Itália responde pela maior fatia do catálogo, com destaque para Toscana, Brunello e regiões especializadas em brancos, além da Puglia. Sommelier de formação, Leoncini credita essa concentração à relação entre vinho e mesa. "Onde tem cultura gastronômica italiana forte, o vinho italiano acompanha naturalmente — e São Paulo é o maior polo de restaurantes italianos do país, então faz sentido que o nosso portfólio converse com isso", diz. O restante do catálogo cobre Argentina, Chile e outros clássicos europeus, com entradas recentes em regiões como o Douro.
A sociedade também conta com Daniela Ferreira, executiva com mais de 20 anos de experiência nas áreas financeira, de tesouraria, atendimento ao cliente e administração de vendas. Formada em Gestão Financeira, com MBAs em Finanças e em Gestão de Negócios, construiu trajetória em empresas como a Grand Cru Importadora e a Santillana Educação antes de assumir a estrutura operacional da Vinessence, área que os sócios apontam como decisiva para sustentar o crescimento acelerado do primeiro ano, marcado pela entrada de novos produtores e pela ampliação da carteira de restaurantes em ritmo mensal. Levy resume a lógica por trás da divisão de papéis: enquanto ele e Leoncini concentram esforços na seleção de rótulos e na relação com vinícolas e clientes, a parte operacional criou as condições para a empresa passar de 80 para 120 rótulos sem perder o controle sobre a curadoria do portfólio.
Para os sócios, a trajetória conjunta no trade, construída ao longo de quase duas décadas, desde os tempos da Grand Cru, é o que sustenta a identidade da Vinessence hoje. Levy lembra que a experiência acumulada ensinou a diferenciar volume de qualidade, e que o critério de seleção de produtores segue sendo o mesmo desde o início: vinícolas menores, com forte identidade de origem e potencial de crescimento junto com a importadora, evitando grandes marcas que trazem consigo pressão por volume. Leoncini, que soma à experiência comercial uma formação técnica como sommelier, reforça que esse alinhamento entre background técnico e visão comercial é o que permite à dupla equilibrar a curadoria do portfólio com a realidade de preço do mercado brasileiro.
Entre as novidades no radar da importadora está a entrada no segmento de espumantes nacionais: a empresa fechou parceria com uma grande vinícola brasileira de espumantes para o lançamento de um rótulo com 18 meses de autólise, previsto para o próximo ano. Os sócios também sinalizam conversas preliminares para representar produtores brasileiros de menor escala, ainda sem prazo definido.
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