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Novo CEO da Casa Flora aposta em governança e expansão B2B

Paulo Andrade detalha a transição da gestão familiar para o modelo corporativo, a reformulação do go-to-market, os investimentos em CRM e IA, e os impactos da reforma tributária e do acordo Mercosul-UE no portfólio de vinhos finos

29 de julho de 2026
Novo CEO da Casa Flora aposta em governança e expansão B2B

A Casa Flora Importadora, uma das referências mais consolidadas na importação e distribuição de alimentos e bebidas premium no Brasil, abre um novo ciclo em sua trajetória. Paulo Andrade acaba de assumir a posição de CEO da companhia, com a missão de conduzir a evolução da governança corporativa e dar continuidade ao plano de crescimento no mercado nacional. Ex-CEO da Granja Faria, Andrade começou a carreira na Nestlé e passou ainda pela Unilever, Parmalat, Pif Paf Alimentos e Peccin antes de assumir a Chief Operating Officer da Bauducco. Foi também CEO da Eternit S.A. Com essa trajetória no setor de bens de consumo de massa (FMCG) e alimentos, em multinacionais e empresas de capital aberto, Andrade traz para a Casa Flora práticas de gestão profissionalizada, eficiência de processos e uso de dados.

O desafio da nova gestão é modernizar a estrutura operacional e acelerar a expansão nos canais on-trade e off-trade, preservando a agilidade, os valores institucionais e o relacionamento histórico com as famílias produtoras que sustentam a reputação da casa. Em conversa com o Wine Trade News, Paulo Andrade analisa os gargalos de processos típicos de empresas familiares, detalha o novo papel dos acionistas e revela as diretrizes para a categoria de vinhos — que passam pela criação de um Comitê de Produtos, revisão das estratégias de go-to-market, investimentos em proteção cambial, ampliação logística no novo CD de Guarulhos e automação digital B2B.

Casa Flora novo CEO jul26 segunda.jpg Wine Trade News - Sua trajetória vem de grandes indústrias de bens de consumo e alimentos, em empresas de capital aberto e gestão profissionalizada. Como pretende aplicar essas práticas de FMCG à dinâmica do mercado de vinhos finos e bebidas premium, sem perder a agilidade e a proximidade com as famílias produtoras que sempre marcaram a história da Casa Flora?

Paulo Andrade - O desafio de qualquer executivo que chega a uma nova empresa é trazer boas práticas sem comprometer os pontos fortes que ela já tem, e seguir os valores e a cultura da companhia. Temos a preocupação de não perder a agilidade nas decisões nem o relacionamento estreito com parceiros e clientes. O plano é manter essas características e endereçar os gaps de processo que empresas familiares costumam apresentar, garantindo que o negócio se perpetue mesmo sem o dono nas atividades operacionais. O papel do acionista passa a ser mais estratégico: buscar novos horizontes de negócio e acompanhar se os executivos estão conduzindo a companhia no caminho certo. Eles continuam sendo os embaixadores da empresa junto ao mercado e vão manter as relações que temos com as famílias produtoras, porque são amigos pessoais de longa data, isso não muda.

WTN - Com cerca de 1,2 mil SKUs no portfólio global da empresa, qual é a diretriz estratégica para a categoria de vinhos no curto e médio prazo? Consolidação em torno das grandes marcas de volume, expansão do segmento super-premium/boutique, ou aposta em novas regiões produtoras e tendências de consumo?

PA - Temos espaço de crescimento em todos os segmentos de vinhos. O primeiro projeto é refazer o go-to-market da companhia e equilibrar o portfólio adequado para cada canal de vendas. Vamos ter também um Comitê de Produtos ágil, que vai analisar a performance de cada rótulo e definir ações para que cada produto tenha um papel claro dentro do portfólio, com critérios definidos para manter os rótulos que contribuem para a nossa estratégia. O mercado tem espaço para grandes produtores, com forte aceitação no canal off-trade, mas também pede produtos super-premium para um nicho de clientes que busca propostas inovadoras. O que precisamos garantir, acima de tudo, é que o nível de relacionamento com os nossos parceiros continue o mesmo, porque essa é a melhor propaganda para atrair novos produtores.

WTN - A Casa Flora é historicamente forte tanto no varejo quanto no HoReCa. Com as mudanças recentes no consumo de vinho no Brasil, quais canais devem liderar o crescimento da importadora sob a sua gestão, e que adaptações comerciais serão prioritárias para cada um?

PA - Vemos potencial de crescimento tanto no off-trade (autosserviço) quanto no on-trade (restaurantes, bares, hotéis etc.). Cada segmento tem suas necessidades, e o ponto de partida é entender a demanda de cada subcanal para oferecer os produtos que fazem sentido para cada cliente. Já identificamos que o potencial de cada canal muda muito de região para região. Em alguns estados, há um horizonte grande de expansão no on-trade; em outros, o off-trade é a principal avenida de crescimento. Mas cada um deve contar com um portfólio bem ajustado à sua realidade.

WTN - A importação de vinhos no Brasil convive com volatilidade cambial, carga tributária alta e custos logísticos globais em alta. Como sua gestão pretende ganhar eficiência operacional na Casa Flora sem comprimir a margem dos parceiros varejistas e restaurantes?

PA - A Casa Flora já tem longa experiência na importação, e seus processos respondem bem às mudanças do mercado. Neste momento, estamos passando por uma reforma tributária que exige repensar toda a nossa estratégia fiscal, incluindo portos de entrada e faturamento dos produtos. Desde abril temos um novo Centro de Distribuição em Guarulhos, que já prevê o crescimento da nossa necessidade logística. Mantemos bom relacionamento com armadores e traders e buscamos sempre

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