Lançamentos trazem ancestralidade e acessibilidade
Geórgia, Portugal e Chile reforçam o mercado nacional com qvevri milenares, castas quase extintas do Dão e a campanha promocional de Reservado Concha y Toro

O mercado de vinhos no Brasil recebe neste mês um conjunto de novidades que evidencia dois movimentos opostos e complementares do setor: de um lado, o resgate de tradições ancestrais e uvas raras; de outro, o investimento pesado em campanhas de massificação para conquistar o consumidor iniciante. Georgia, Portugal e Chile chegam ao país com propostas que vão da ânfora de argila enterrada há oito mil anos ao sorteio de viagens internacionais.
A novidade de maior peso simbólico é a chegada das novas safras da Askaneli, uma das vinícolas mais tradicionais da Geórgia, considerada o berço mundial da vitivinicultura. A importadora Ancestral Wine, com curadoria de André e Karla Baader, traz ao Brasil rótulos elaborados nos qvevri, ânforas de argila enterradas usadas na fermentação e reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial. O portfólio inclui o tinto Saperavi Qvevri e o branco Rkatsiteli Qvevri, fermentados por seis meses nas ânforas, além de brancos como Manavi e Tsinandali, o blend Prima, os espumantes Askaneli Brut Rosé e Askaneli Brut, o tinto envelhecido em carvalho Mukuzani e rótulos mais suaves como Vale de Alazani e Kindzmarauli.
Entre os brancos da vinícola, o Manavi e o Tsinandali se destacam pela leveza e pela acidez marcante, elaborados a partir das castas Kakhuri Mtsvane e Rkatsiteli, típicas do Cáucaso. Já o Prima aposta em um perfil mais aveludado, combinando Rkatsiteli com Chardonnay, enquanto o Askaneli Saperavi Rosé leva a uva tinta símbolo do país para um estilo mais fresco. No espumante, a vinícola trabalha em dois métodos: o Askaneli Brut Rosé, elaborado pelo Método Tradicional, e o Askaneli Brut, produzido pelo Método Charmat. Entre os tintos, o Mukuzani soma estrutura e passagem por carvalho, enquanto o Saperavi clássico reforça a identidade da uva georgiana mais cultivada no país; já os rótulos Vale de Alazani, branco e tinto, e o Kindzmarauli completam o portfólio com estilos mais suaves e adocicados, voltados ao consumo mais acessível.
Em Portugal, a região do Dão também vive um movimento de resgate. A TDP Wines, em parceria com a Lusovini, lança o box "Castas Únicas" (R$ 1.599,00), reunindo vinhos da Vinha da Fidalga, propriedade do século XVIII comandada pela enóloga-chefe Sónia Martins. O projeto recupera variedades quase extintas na região, como o Uva Cão, casta ancestral de acidez intensa e final seco, o Arinto do Interior, de perfil cítrico e gastronômico, e o Monvedro, que responde por menos de 0,01% das tintas plantadas no Dão e resulta em um vinho de estrutura sutil e taninos sedosos.
A mesma lógica de preservação de patrimônio agrícola aparece em Trás-os-Montes, onde a Costa Boal Family Estates, importada pela Rota do Azeite e Vinhos, apresenta quatro novas safras das parcelas históricas da Quinta dos Távoras. A linha Palácio dos Távoras inclui o Gold Edition Tinto 2021, de taninos firmes e vocação para pratos robustos, o Alicante Bouschet 2023, com estágio em carvalho francês, e os rótulos Vinhas Velhas, tinto e branco, que traduzem o trabalho de conservação conduzido pelo produtor António Boal.
Se a Geórgia e Portugal apostam na raridade e na ancestralidade como diferencial, a Reservado Concha y Toro segue caminho inverso e mira a escala. Já consolidada como a marca de vinhos importados mais vendida no Brasil, a companhia lança a campanha "Destino Reservado Concha y Toro", em cartaz de 15 de agosto a 30 de outubro de 2026, com sorteio de cinco viagens com acompanhante para Viña del Mar e Valparaíso e prêmios de um ano de vinho grátis. A ação concentra esforços na linha Reservado Sweet, adocicada naturalmente pelo mosto da própria uva, e na linha Spritzer, ambas voltadas a atrair consumidores jovens e iniciantes; a compra de rótulos Sweet dobra as chances no sorteio, feito via cadastro no site oficial da promoção. “A iniciativa nasceu para transformar um momento simples como escolher um rótulo no supermercado em uma oportunidade de viver uma grande experiência”, destaca Danilo Razera, Head de Marketing e Trade da Concha y Toro. “A preferência por perfis mais leves, frutados e fáceis de beber acompanha uma transformação na forma como novos consumidores se relacionam com a bebida. Nossa aposta nos sabores de Sweet é um incentivo adicional à experimentação da categoria e amplia as possibilidades de interação com a nossa marca”, completa.

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