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Tiago Macena é o 1º Master of Wine de Portugal

MW anuncia sete novos Masters of Wine, com os primeiros baseados em Portugal e na Hungria; turma de 2026 chega a 11 títulos, maior desde 2021

20 de agosto de 2026
Tiago Macena é o 1º Master of Wine de Portugal

O Institute of Masters of Wine (IMW) anunciou nesta quinta-feira (20) a chegada de sete novos Masters of Wine, elevando para 427 o número de membros ativos da instituição em 31 países. Entre os nomes está o português Tiago Macena, primeiro profissional baseado em Portugal a conquistar o título, um marco para a vitivinicultura lusófona, que até então tinha no brasileiro Dirceu Vianna Júnior seu único representante da língua portuguesa entre os Masters of Wine.

Enólogo e sócio da Código Wines, no Dão, Macena é engenheiro agrônomo formado pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, com pós-graduação em Wine Business. Além do trabalho na vinícola, presta consultoria a produtores do Alentejo e da ilha do Pico, nos Açores, com foco na preservação de vinhas velhas e na valorização de castas autóctones portuguesas. É também educador freelancer, integra o painel de degustação da Revista de Vinhos e assina uma coluna regular sobre vinho. Sua pesquisa de conclusão, etapa final e obrigatória do exame, tratou da Encruzado no Dão, casta branca típica da região, analisando panorama de produção e perspectivas futuras.

MW 2026 - Tiago Macena Portugal.png

Somados aos quatro Masters of Wine anunciados em fevereiro, os sete nomes desta quinta-feira fecham a "safra" de 2026 em 11 títulos, a maior leva desde 2021, quando 13 profissionais receberam a titulação. Além de Portugal, a Hungria também comemora sua primeira Master of Wine baseada no país: Sue Tolson, escritora, tradutora, educadora e juíza de origem britânica radicada há anos no território húngaro. Especialista nos vinhos da Hungria e da Europa Central e Oriental, além da Itália, Tolson colabora com publicações como os suplementos da Decanter, a WineSofa e a Wines of Hungary, integra o time de especialistas em vinho italiano da Vinitaly International e já julgou em competições como o International Wine Challenge e o Concours Mondial de Bruxelles. Fluente em húngaro e alemão, sua pesquisa investigou a identidade regional de Szekszárd a partir da chamada "Trindade" local, as castas Kékfrankos, Kadarka e Bikavér, e da garrafa própria da região.

A lista de novos MWs reúne ainda perfis de diferentes frentes do mercado. Alice Archer, do Reino Unido, construiu carreira no comércio de fine wines em casas como Cambridge Wine Merchants, Moët Hennessy UK e Harrods, com passagem pela presidência da Champagne Academy; sua pesquisa avaliou o uso de inteligência artificial generativa para redigir descrições de contrarrótulo. Owain Hughes, também britânico, veio da música antes de migrar para o mercado financeiro e a consultoria de vinhos, e assinou um trabalho sobre vinho e império nas obras de Joseph Conrad e Rudyard Kipling. O chinês Weiran Liu, formado nos Estados Unidos e com passagem por Château Margaux ainda como estagiário, atua hoje na Greater Bay Area chinesa entre educação, representação de marcas e consultoria, e pesquisou os fatores que levam expositores a escolher feiras de vinho na China.

A norte-americana Gabriella Macari, ligada à família proprietária da Macari Vineyards, em Long Island, além de cofundadora da iniciativa Cab Franc Forward NY, estudou a percepção do consumidor americano sobre o uso de herbicidas na viticultura. O canadense Jake Skakun, restaurateur e diretor de vinhos em Toronto por trás de casas como Grey Gardens e Bar Vendetta, analisou o consumo de vinhos VQA por copo no mercado on-premise da região de Toronto.

Para conquistar o título, os candidatos passam por três etapas: provas práticas de degustação às cegas, com três baterias de 12 vinhos cada, avaliando variedade, origem, técnica de vinificação, qualidade e posicionamento comercial; exames teóricos em cinco áreas, entre viticultura, vinificação, manejo, negócios do vinho e temas contemporâneos; e a apresentação de uma pesquisa original e inédita. Todos os aprovados ainda precisam assinar o código de conduta do IMW antes de poder usar o título e as iniciais MW.

Em nota, o presidente do IMW, Roderick Smith MW, disse que a nova turma reflete "amplitude inspiradora de origens, expertise e perspectivas", celebrando a chegada dos primeiros membros baseados em Portugal e na Hungria. A diretora executiva da entidade, Sarah Harrison, destacou o crescimento internacional do programa, que hoje reúne 320 estudantes de 46 países no ciclo 2025-26. O IMW existe há mais de 70 anos e reúne, entre seus membros, produtores, sommeliers, compradores, jornalistas, importadores, consultores, viticultores e acadêmicos.

Enquanto a lista de Masters of Wine se renova em Londres, o Brasil segue de olho na próxima geração do título. Além de Dirceu Vianna Júnior, único brasileiro a ostentar as iniciais MW, o país tem hoje quatro mulheres na jornada rumo à titulação: Cynthia Richter Ribeiro, Karene Vilela e Alessandra Esteves, já no Stage 2, e Andrea Berthaud, que ingressou no programa no fim do ano passado. Com o IMW sinalizando interesse crescente pela América Latina, caso da imersão promovida pela Enocultura em abril, com aulas de Marina Gayan MW e Demetri Walters MW ministradas em São Paulo, a expectativa é que a próxima "safra" de novos Masters of Wine finalmente inclua um nome brasileiro.

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