OIV aponta recordes históricos do Brasil em consumo e produção de vinho em 2025
Relatório anual da OIV revela cenário global de forte ajuste, com recuo de 2,7% no consumo mundial, sexto ano de contração de vinhedos e comércio internacional severamente impactado por incertezas tarifárias e barreiras nos Estados Unidos.

O setor vitivinícola global encerrou 2025 em modo de ajuste. Dados divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) confirmam que produção, consumo e comércio internacional operaram abaixo de suas médias históricas pelo terceiro ano consecutivo, num cenário marcado por instabilidade climática, demanda mais fraca e crescente incerteza tarifária — em especial nos Estados Unidos.
A produção global de vinho em 2025 é estimada em 227 milhões de hectolitros (mhl), apenas 0,6% acima do nível historicamente baixo de 2024, ficando 9,4% abaixo da média dos últimos cinco anos. É o terceiro ano consecutivo de produção baixa. Na Europa, os destaques negativos foram Portugal, com queda de 14% frente a 2024 — o menor volume desde 2011 — e Espanha, que registrou um dos menores níveis de colheita das últimas décadas após o terceiro ano consecutivo de seca e ondas de calor, com produção 17% abaixo da média quinquenal.
No Hemisfério Sul, a produção total deve chegar a cerca de 49 mhl, um avanço de 7,7% em relação a 2024, embora ainda 4,6% abaixo da média dos últimos cinco anos. O Brasil se destacou positivamente: a produção nacional chegou a 2,8 mhl, com alta de 80,6% sobre o nível historicamente baixo de 2024, e ficou 15,8% acima da média quinquenal.
O consumo mundial de vinho em 2025 é estimado em 208 mhl, queda de 2,7% em relação a 2024 — numa trajetória que acumula recuo de 14% desde 2018. Nove dos dez maiores mercados mundiais registraram volumes menores. Os três mercados que mais puxaram a queda global foram China, França e EUA. A China perdeu em média cerca de 2 mhl por ano desde 2018; a França mantém tendência de queda de longa data; e os EUA viveram uma desaceleração marcante no período recente.
O mercado americano, o maior do mundo, registrou recuo de 4,3% em 2025, chegando a 31,9 mhl, com a demanda pressionada por fatores demográficos, comportamentais e econômicos, incluindo menor consumo de álcool entre os mais jovens e maior sensibilidade a preços.
O Brasil, por contraste, foi um dos destaques positivos: o país atingiu o maior volume de consumo de sua história, estimado em 4,4 mhl, alta de 41,9% sobre o nível baixo registrado em 2024, ficando 19,9% acima da média quinquenal. Comércio internacional: tarifas americanas no centro do problema
As exportações mundiais de vinho recuaram 4,7% em volume, para 94,8 mhl, estendendo a trajetória de queda observada desde 2022. Dez dos doze maiores exportadores mundiais registraram volumes menores. Em valor, as exportações globais chegaram a 33,8 bilhões de euros, queda de 6,7% frente a 2024.
O preço médio de exportação recuou levemente, mas permaneceu em níveis historicamente elevados em 2025, sendo o terceiro maior já registrado e ainda 24% acima do período pré-Covid. Entre os grandes exportadores, Portugal e Nova Zelândia foram as únicas exceções positivas em volume. Itália, Espanha e França, os três maiores, registraram quedas tanto em volume quanto em valor. O caso mais dramático foi o dos EUA: as exportações americanas caíram 17,9% em volume e 35,9% em valor, com o Canadá — principal destino em 2024 — registrando a contração mais acentuada, com recuo de 66,9% em volume.
No lado dos importadores, os EUA também sentiram o impacto das tensões tarifárias: as importações americanas caíram para 12,0 mhl, com o valor despencando 11,6%, pressionadas pela incerteza em torno das tarifas, que pesaram significativamente sobre os fluxos comerciais.
A área mundial de vinhedos chegou a 7,0 milhões de hectares em 2025, queda de 0,8% frente a 2024 — o sexto ano consecutivo de contração. O recuo foi especialmente pronunciado na França, com redução de 4,4% em relação a 2024, equivalente a cerca de 34 mil hectares a menos, levando a área total a 740 mil hectares. O Brasil, na contramão, expandiu sua área de vinhedos pelo quinto ano consecutivo, chegando a 91 mil hectares, alta de 9,6% sobre 2024.
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