WSET anuncia maior rebranding de sua história
Instituição aposenta ícone Ariadne, simplifica assinatura para "Global Drinks Education" e lança novos pins sustentáveis divididos por cores; transição foca no ecossistema digital e impacta alunos brasileiros

A Wine & Spirit Education Trust (WSET), principal referência global em educação de vinhos e destilados, implementou a maior reformulação de identidade visual de sua trajetória. A mudança, com rollout iniciado a partir da sede no Reino Unido, marca o encerramento de um ciclo: a tradicional figura mitológica de Ariadne, que estampou brasões e certificados por décadas, foi aposentada em favor de um design contemporâneo, direto e otimizado para o ambiente digital.
Institucionalmente, o nome extenso recua para dar protagonismo à sigla WSET. Sob o novo logotipo — que preserva o formato oval e o tom azul —, estreia a assinatura "Global Drinks Education". O ajuste chancela a expansão da instituição para além do segmento vitivinícola, consolidando qualificações em Destilados, Sake e, recentemente, Cerveja (Beer), categoria com tração crescente nos mercados europeu e norte-americano.
De acordo com os relatórios anuais mais recentes divulgados pela própria instituição (referentes ao ano letivo global, que vai de agosto a julho), a WSET atinge uma média que varia entre 110.000 e 140.000 candidatos matriculados anualmente ao redor do mundo. Como a taxa média de aprovação global dos exames da instituição costuma oscilar historicamente entre 75% e 80% (somando todos os níveis e categorias de bebidas), o volume estimado de novos profissionais e entusiastas que recebem uma certificação da WSET fica na casa dos 90.000 a 110.000 alunos certificados por ano em mais de 80 países. São mais de 800 provedores homologados, os chamados APPs, como a Eno Cultura no Brasil, única com licença para o Diploma WSET.
Para os alunos de provedores homologados no Brasil, a atualização acompanha o movimento de digitalização do setor. O direcionamento "digital-first" visa facilitar o compartilhamento de conquistas acadêmicas em redes como LinkedIn, por meio de medalhas e certificados digitais. Os aprovados em certificações recentes em solo nacional já receberão diplomas com a nova identidade visual. "Em meio a tantas transformações e mudanças na indústria do vinho, o WSET reafirma o seu comprometimento com o futuro do setor global de bebidas. A instituição vem se antecipando e se adaptando às novas práticas de ensino e engajamento, fortalecendo ainda mais a propagação da cultura de bebidas em geral", afirma Thiago Mendes, CEO da Eno Cultura.
A renovação atinge também os pins de lapela, cobiçados insígnias de status no trade. Agora produzidos com materiais de menor impacto ambiental, os broches abandonam o metal uniforme e adotam um sistema de categorização por cores para indicar o nível de formação:
Level 1: Acabamento em Bronze (era laranja) Level 2: Acabamento em Prata (era azul) Level 3: Acabamento em Ouro (era verde) Level 4 (Diploma): Acabamento em Preto Fosco (era vermelho)
Os pins trazem ainda grafismos discretos que identificam a vertical de estudo (Vinho, Destilados, Cerveja ou Sake), atendendo a uma demanda antiga da comunidade global para facilitar a identificação profissional.
Transição e status de veterano
A mudança gerou discussões em fóruns especializados, divididos entre o saudosismo da herança clássica e a funcionalidade da nova identidade corporativa. A WSET confirmou que as novas insígnias serão enviadas automaticamente apenas para os recém-formados. Profissionais já certificados que possuem as versões com a deusa Ariadne não receberão a atualização gratuitamente. Veteranos que optarem pelo novo padrão visual deverão solicitar a compra de uma segunda via por meio de seus respectivos centros de ensino locais, que encaminharão o pedido à central em Londres. No mercado, entretanto, o pin antigo já assume um status de "selo de veterano", simbolizando a geração formada antes da virada digital e da reformulação da governança visual da instituição.
O adeus à Ariadne
A escolha de Ariadne como símbolo original da WSET, em 1969, fundamentou-se na conexão mitológica com Dionísio, divindade do vinho, conferindo à instituição um selo de autoridade acadêmica e prestígio histórico vinculado às raízes da viticultura ocidental. No entanto, a transição para a nova identidade visual reflete uma mudança de curso estratégica: a imagem clássica, antes vista como heráldica, passou a ser interpretada como uma barreira estética excludente e excessivamente centrada no Velho Mundo. O rebranding atual remove esse peso tradicional para consolidar um posicionamento contemporâneo e inclusivo, capaz de representar a expansão do portfólio para além do vinho, abrangendo as verticais de destilados, sake e cerveja em um ecossistema digital.
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