ProWine SP ocupa dois pavilhões e reúne 2 mil marcas
Feira de 6 a 8/10 tem área 64% maior, delegações de 43 países e estreias que vão de Champagne sem importador a vinhos do Nordeste

A ProWine São Paulo abre na terça-feira (6), no Expo Center Norte, a maior edição de sua história. Até quinta-feira (8), a sétima edição da feira ocupa pela primeira vez dois pavilhões, o Branco e o Azul, com mais de 2 mil produtores expositores de 43 países. A área chega a 36 mil m², cerca de 64% maior que os 22 mil m² do ano passado. Exclusiva para profissionais, a feira reúne produtores, importadores, distribuidores, varejistas, sommeliers e compradores de vinhos e destilados. Em 2025, recebeu mais de 20 mil visitantes, 87% deles tomadores de decisão, e movimentou R$ 250 milhões em negócios durante os três dias, com projeção de R$ 500 milhões nos três meses seguintes. O crescimento acontece na contramão do cenário internacional. A ProWein de Düsseldorf, matriz alemã da feira paulistana, registrou queda de 26% no número de visitantes em sua edição de março, e a ProWine São Paulo já é considerada a terceira maior feira do setor no mundo. O mercado interno sustenta a expansão: em 2025, o vinho movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões no país, o segmento super premium cresceu aproximadamente 15% em faturamento e os espumantes somaram 4,5 milhões de caixas de nove litros, alta de 8%, segundo dados apresentados no Seminário Adega Ideal.
Entre as delegações internacionais, a Alemanha amplia sua presença com duas frentes. Uma é organizada pelo Ministério da Agricultura do país e a outra pelo Verband Deutscher Prädikatsweingüter (VDP), associação que reúne cerca de 200 produtores. O VDP traz 12 propriedades de seis regiões, Mosel, Württemberg, Rheinhessen, Nahe, Francônia e Palatinado, com foco na diversidade de estilos da Riesling. O ProWine Fórum terá atividades dedicadas aos vinhos alemães, incluindo Riesling, Pinot Noir, origem e produção artesanal.
Champagne chega com casas que ainda não têm representação comercial no Brasil e vêm em busca de importadores. Entre elas está a maison familiar de Marion e Laurent Liébart, que apresenta uma cuvée elaborada com as sete castas históricas da denominação, incluindo as raras Arbane, Petit Meslier e Pinot Blanc. A lista de países inclui ainda origens pouco vistas no mercado nacional, como Armênia, Azerbaijão, Barbados, Guatemala, Índia, Macedônia do Norte, Moldávia e Trindade e Tobago, além de vinhos gregos e saquês japoneses.
Os brancos argentinos são um dos eixos da programação. No dia 7, a Terrazas de los Andes conduz no Fórum uma masterclass com Lucas Lowi, da Wines of Argentina, dedicada aos rótulos Grand Reserva Chardonnay e Reserva. No estande da Moët Hennessy, a vinícola mendocina monta um bar exclusivo de brancos. A Kaiken lança a linha Divina, de brancos de altitude do Vale de Uco, nas versões Torrontés e Chardonnay. A vinícola chega com o Ouro em Práticas Sustentáveis do Best Of Mendoza's Wine Tourism, da rede Great Wine Capitals, conquistado junto com seu restaurante Ramos Generales, e representa Mendoza na etapa internacional do prêmio, em outubro, na Nova Zelândia. Certificada como Empresa B, a Kaiken reduziu em cerca de 50% a água de irrigação nos últimos anos com agricultura regenerativa e gotejamento. A categoria aparece ainda nos portfólios da World Wine, que lança o Sophenia Altosur Sauvignon Blanc e o Otronia Lagunar Gewürztraminer 2023 e destaca o Vallisto Torrontés; da La Pastina, com o Andeluna Raíces Torrontés Dulce Natural 2025 e o Andeluna 1300 Torrontés 2024; da Zahil, com novidades da Rutini; e da Solo Contigo Wines, com o Develado Blanco (Chardonnay e Gewürztraminer) e o Casa de las Musas White Blend, que acrescenta Pedro Giménez ao corte. Do lado chileno, a Carménère ganha espaço no Fórum e a Suntana apresenta nova identidade para seus vinhos do Valle Central.
Portugal mantém presença forte. A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) monta um estande de 77 m² com dez produtores: Adega de Redondo, Monte D'Atalaya, Noble Flavour Wines, Herdade do Menir, Casa de Santa Vitória, Herdade das Mouras, Ímpar Wines, Ervideira, Adega de Vidigueira e Mainova. Região portuguesa que mais vende vinhos no Brasil, o Alentejo aposta na combinação entre tradições como o vinho de talha e técnicas contemporâneas. A Domno Wines, importadora da Famiglia Valduga, leva rótulos das italianas Mastrojanni e Bellavista e das portuguesas Caves Velhas e Ganda, com destaque para o Ganda Vinho Verde DOC, do Vale do Ave, feito com Arinto, Loureiro e Trajadura e vendido com exclusividade pela empresa no país.
A Espanha participa com três regiões, e a D.O. Rueda faz a maior investida de sua história no mercado brasileiro. Pela primeira vez, a denominação terá estande próprio na feira, onde monta um túnel de degustação itinerante com 74 rótulos de 31 vinícolas, dos Verdejo jovens e frescos a estilos com estágio sobre borras e fermentação em barrica, além de espumantes e exemplares da categoria premium Gran Vino de Rueda. Seis vinícolas ficam instaladas no espaço oficial, com representantes para reuniões comerciais, e outras produtoras da região participam de forma independente em diferentes pontos da feira. A aposta vem na esteira de um desempenho que contraria o cenário internacional: em um ano de retração do consumo mundial e de queda das exportações espanholas de vinhos com denominação de origem, Rueda exportou 17,5 milhões de garrafas em 2025, alta de 3%, e suas vendas para o Brasil cresceram quase 198% em volume. "Vemos isso como o início de um compromisso de longo prazo com o mercado brasileiro", afirma Santiago Mora Poveda, diretor-geral da denominação.
A produção brasileira chega amparada por um dado recente. Segundo o Anuário do Vinho 2026, do Ministério da Agricultura, o Nordeste produziu 22,67 milhões de litros em 2025, superou o Sudeste e tornou-se a segunda maior região produtora do país. Pernambuco lidera a região em número de vinícolas, com 15, e em vinhos registrados, com 347 produtos, e Lagoa Grande está entre os 15 municípios brasileiros com mais registros, com 230 rótulos. O Vale do São Francisco volta à feira com quatro vinícolas pernambucanas reunidas pela VINHOVASF, que estreiam a Estação Velho Chico, espaço com degustações guiadas e workshops. A Botticelli lança o espumante 40 Anos Extra Brut, 100% Chardonnay, e o Edição Limitada Caboclo de Lança 2024, corte de Malbec, Cabernet Sauvignon, Petite Syrah e Alicante Bouschet. A Garziera apresenta o Seven Baixo Álcool, de castas brancas mediterrânicas, e os brancos Chardô e Chenin Barricado, fermentados e envelhecidos em carvalho francês. A Rio Sol mostra a nova identidade de seus espumantes e dois lançamentos zero álcool à base de Moscato, e a Rio Valley completa o grupo. Da Chapada Diamantina, a UVVA, de Mucugê (BA), lança um licoroso e um Chardonnay Microlote com leveduras autóctones e promove três masterclasses no estande. Os terroirs da Chapada, de Garanhuns (PE) e de influência vulcânica do Sudeste, além de novas cultivares, também estão na grade do Fórum.
Os vinhos de inverno, produzidos com a técnica da dupla poda, têm sua estreia mais relevante com a Vinícola Rio Manso, de Jacutinga (MG), na Serra da Mantiqueira. A marca apresenta o Olhar da Onça 2023, Ouro no Vinalies Internationales 2026 e Prata no Decanter World Wine Awards 2026. A CEO e enóloga Aline Mabel, diretora da Anprovin, associação dos produtores do segmento, anuncia a abertura do enoturismo da vinícola em 2027. No Sul, a Cooperativa Vinícola Aurora projeta alta de cerca de 10% nas vendas de espumantes no fim do ano e lança o Procedências Blanc de Blanc Nature, primeiro Nature da marca, e o Procedências Desalcoolizado, ambos 100% Chardonnay, além do Reserva Alvarinho 2025 e da safra 2020 do ícone Millésime Cabernet Sauvignon, com 92 pontos de Tim Atkin. A Salton leva o Ouro Moscatel, medalha de Ouro no Decanter World Wine Awards 2026, e lança um espumante rosé comemorativo de 116 anos, parte de uma coleção que seguirá até os 120. A Famiglia Valduga apresenta o Mundvs Chile 2022, primeiro de um projeto idealizado pelo enólogo Eduardo Valduga que prevê 12 vinhos em 12 países, com produção limitada a 6 mil garrafas. Sua marca Ponto Nero estreia o Spritz Limonero, ready to drink com 5% de álcool inspirado no limoncello spritz, e o grupo leva pela primeira vez o enoturismo à feira, com o complexo da Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, que abriga a maior cave de espumantes da América Latina, com capacidade para mais de 6 milhões de garrafas. A Otto, de Bento Gonçalves, oferece em quantidade limitada um Pinot Noir engarrafado artesanalmente que antecipa a safra 2026, e a Cerro de Pedra apresenta o Clarete Assemblage, de fermentação conjunta de Cabernet Sauvignon e Chardonnay, e um Rosé Cabernet Sauvignon. O Grupo Batalha mostra o Grand Terroir 31, projeto de 370 hectares na Campanha Gaúcha que integra vinho, azeite, gastronomia e turismo, com Pascal Marty à frente da vitivinicultura e Francisco Pavão na olivicultura. O estande coletivo Vinhos Gaúchos, iniciativa do Consevitis-RS com o Sebrae RS, reúne 43 vinícolas da Serra Gaúcha, da Campanha e da Serra do Sudeste em 241,5 m².
Entre as importadoras, o Grupo Wine reúne 34 vinícolas e mais de 650 rótulos da Cantu e da Bodegas, com marcas como Susana Balbo, Ventisquero, Ramón Bilbao, Lanson, Frescobaldi, Clos de Los Siete, Undurraga e Fontanafredda. O grupo destaca também linhas próprias desenvolvidas a partir de dados do consumidor brasileiro: as chilenas Metropolitano e Dínamo Wines, esta com rótulos abaixo de R$ 30, e a brasileira Entre Dois Mundos, parceria com a Miolo. O Grupo La Pastina, presente desde a primeira edição, leva mais de 400 rótulos de suas três unidades. A La Pastina traz o lançamento do Maycas Pinot Noir, da chilena Emiliana, e a recém-incorporada González Byass, com Beronia, Vilarnau e Tio Pepe, além das estreantes Masottina e L de Laroche. A World Wine reúne 49 produtores e estreia Ornellaia, Aalto, Château Recougne e os projetos de António Maçanita nos Açores e no Douro, e a Inspirits leva a edição limitada da cachaça Cê Ipê Roxo e os whiskies Michter's, Cotswolds e Kilchoman. A Zahil chega no ano em que completa 40 anos, com masterclass no estande.
A Moët Hennessy concentra Chandon Excellence, Terrazas Reserva Chardonnay, Whispering Angel, Minuty Prestige e Hennessy em seu espaço e promove três masterclasses, dedicadas a Champagne, vinhos de altitude e Pinot Noir. Uma delas é conduzida por Bruno Munhoz, gerente de enologia da Chandon, sobre o Excellence, que amadurece no mínimo dois anos e meio. A Veuve Clicquot apresenta o Brut Yellow Label, cuvée com predominância de Pinot Noir que pode levar até 45% de vinhos de reserva. A Henkell Freixenet aposta em seis lançamentos zero álcool, entre eles o Cordon Negro desalcoolizado e novos rótulos da linha Diamond, e anuncia sua entrada em uma nova categoria de bebidas. A área ProSpirits ganha mais espaço, com whisky, gin, licores, cachaça e uma área dedicada à tequila mexicana. A Moët Hennessy serve drinques com Hennessy V.S e degustações de Belvedere Pure, Glenmorangie The Original 12 anos e Glenmorangie Quinta Ruban 14 anos. A Interfood lança o Cointreau Spicy, que combina a laranja do licor com Bird's Eye Chilli, jalapeño e pepino, de olho na tendência de sabores picantes na coquetelaria. A NIB Bebidas estreia na feira com seu portfólio de bitters, gins e coquetéis prontos, e a Bacchus, em sua sexta participação, lança a Videira da Felicidade, semijoia desenhada com apoio de inteligência artificial.
O ProWine Fórum distribui masterclasses, degustações comentadas e debates por três salas. Na terça (6), a pauta inclui Portugal, terroirs vulcânicos brasileiros, Austrália, Uruguai, Itália e especialidades japonesas. Na quarta (7), brancos argentinos, viticultura alemã, Carménère, Chapada Diamantina e mudanças nos hábitos de consumo. Na quinta (8), evolução do mercado brasileiro, Garanhuns, Alentejo, Uruguai, Alemanha e Setúbal, com a entrega do Prêmio ABS-SP ADEGA 2026 encerrando a programação. As inscrições para as masterclasses são feitas pelo aplicativo oficial da feira.
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