ProWine SP encerra 7ª edição com 25 mil visitantes
Feira reuniu 2 mil produtores de 43 países; “hoje a gente faz parte do calendário de negócios”, afirma a diretora Malu Sevieri

A ProWine São Paulo encerrou na quinta-feira (8) sua sétima edição com recorde de público. Mais de 25 mil visitantes passaram em três dias pelo Expo Center Norte, na capital paulista, onde mais de 2 mil produtores de 43 países apresentaram vinhos e destilados. Em 2025, a feira havia recebido cerca de 20 mil profissionais e expositores de 36 países. O público cresceu 25% e o evento ocupou pela primeira vez dois pavilhões, o Branco e o Azul.
Para a organização, o aumento de escala acompanha uma mudança de função. “Antes, a gente fazia parte do calendário de eventos. Eu acho que hoje a gente faz parte do calendário de negócios dos vinhos vendidos no Brasil”, disse Malu Sevieri, diretora da ProWine São Paulo. Christian Burgos, também diretor, afirma que produtores e compradores chegam mais preparados, com foco em parceiros comerciais, preço e canais de distribuição. “As negociações realizadas durante o evento ajudam a definir os produtos que estarão nas prateleiras brasileiras, nas cartas de restaurantes e nos catálogos de distribuidores nos próximos meses”, disse.
O calendário reforça esse peso. A feira coincide com o período em que importadores, distribuidores e compradores do varejo e do food service fecham as compras de fim de ano e montam o portfólio do ano seguinte. Na edição anterior, segundo a organização, 87% dos visitantes eram tomadores de decisão e os negócios fechados durante os três dias somaram cerca de R$ 250 milhões, com projeção de R$ 500 milhões nos três meses seguintes. Os números de negócios de 2026 ainda não foram divulgados.
O pano de fundo é um mercado em expansão. O setor movimentou R$ 21,1 bilhões no Brasil em 2025 e o consumo per capita superou pela primeira vez os 3 litros anuais, segundo dados divulgados pela feira às vésperas da abertura. Burgos afirmou antes do evento que o mercado brasileiro “praticamente dobrou nos últimos 10 anos”. Entre as categorias, os brancos lideram o crescimento percentual, os rosés estão estáveis e os tintos recuaram 1,4%, de acordo com Sevieri.
A diversidade de origens consumidas no país ajuda a explicar o interesse estrangeiro. “O Brasil bebe vinho do mundo inteiro”, resumiu Sevieri em entrevista à Forbes. A diretora atribui parte da maior presença europeia ao acordo entre Mercosul e União Europeia, que prevê zerar as tarifas de importação entre os blocos até 2034.
A Espanha teve a presença mais numerosa entre os europeus, com quatro iniciativas coletivas da Comunidade Valenciana, de Murcia, de Rueda e de Castilla y León. A DO Rueda levou 31 vinícolas e 74 rótulos, sua maior ação comercial no Brasil, depois de um aumento de quase 198% no volume exportado ao país em 2025. Castilla y León reuniu produtores de Ribera del Duero, Toro, Bierzo e Cigales. A Alemanha estreou com dois espaços coletivos: o VDP, com 12 propriedades de seis regiões, e o German Pavilion, do Ministério Federal da Agricultura, com oito vinícolas sob a marca Wines of Germany. Os 20 produtores alemães mostraram, além de Riesling, Pinot Noir, Chardonnay, Silvaner e espumantes.
Na América do Sul, o Uruguai levou 38 vinícolas, sete delas estreantes na feira, e mais de 250 rótulos a um estande de 233 m², amparado por um crescimento de 25% das vendas no Brasil. Portugal manteve o estande coletivo Vinhos de Portugal, com cerca de 280 m². Origens ainda raras nas prateleiras brasileiras, como Armênia, Geórgia, Kosovo e Moldávia, também estiveram presentes.
O fluxo também correu no sentido inverso. A ApexBrasil promoveu durante a feira rodadas de negócios entre cerca de 20 empresas brasileiras e oito compradores internacionais, dentro do programa Exporta Mais Brasil. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras de vinho somaram US$ 5,61 milhões, alta de 24,66% sobre o mesmo período de 2025, com embarques para 79 países.
Os destilados ampliaram espaço com tequila, mezcal e destilados japoneses, e a área de serviços cresceu com empresas de tecnologia para o varejo e a distribuição. Entre elas estiveram a DOit, com sistemas de gestão (ERP); a NSERIAL, com autenticação de produtos contra falsificações; a P.move Smart Places, que conecta buscas online a vendas em lojas físicas; e a Moki, plataforma de gestão operacional para varejo, logística e indústria.
A próxima edição está marcada para 5 a 7 de outubro de 2027, novamente no Expo Center Norte, com credenciamento de visitantes a partir de março.
Newsletter
Receba as principais notícias do trade de vinhos diretamente no seu email.
Artigos Relacionados

Brancos e baixo álcool puxam lançamentos da ProWine
Nordeste, Serra Gaúcha e Argentina concentram as novidades; leveduras nativas trazem “assinatura aromática única”, diz e...

ProWine SP ocupa dois pavilhões e reúne 2 mil marcas
Feira de 6 a 8/10 tem área 64% maior, delegações de 43 países e estreias que vão de Champagne sem importador a vinhos do...