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Melhor tinto do mundo no IWC já opera com cotas

Calizo Albar Block 06 tem demanda em alta e risco de falta; "ainda estamos no começo desse processo", diz Ariel Hernán Pérez, executivo do Grupo Huentala

29 de setembro de 2026
Melhor tinto do mundo no IWC já opera com cotas

O Huentala Calizo Albar Block 06 Malbec 2023, eleito Champion Red Wine do International Wine Challenge (IWC) 2026, já é vendido aos distribuidores por cotas. Segundo Ariel Hernán Pérez, gerente-geral do Sheraton Mendoza e responsável pela estratégia comercial da hotelaria do Grupo Huentala, a procura pelo rótulo aumentou significativamente desde o anúncio do prêmio, e o grupo não descarta momentos de falta de produto. "É uma edição limitada e estamos trabalhando com cotas para nossos distribuidores para administrar os volumes disponíveis", afirma.

A pressão sobre o estoque vem de mais de uma frente. Além dos distribuidores, cresceu a procura por venda direta e pelos hotéis do grupo em Mendoza. "Mas acho que ainda estamos no começo desse processo. O reconhecimento gera curiosidade. As pessoas não querem apenas comprar o vinho; querem saber de onde ele vem", diz Pérez.

Julio Camsen e o Pepe Morales com o prêmio recebido em Londres.

Produzido pela Huentala Wines em Gualtallary, no Valle de Uco, o Malbec recebeu 97 pontos e outros troféus antes de chegar ao título máximo entre os tintos do concurso. Julio Camsen, fundador do grupo, e o enólogo José "Pepe" Morales receberam o prêmio pessoalmente em Londres. "Existe muito conhecimento, dedicação, experimentação, disciplina e paixão por trás de uma garrafa como essa. Não é um resultado que acontece por acaso", afirma o executivo, que destaca o fato de a avaliação do IWC ser às cegas. "No momento da degustação, o vinho fala por si mesmo."

Ariel e o vinho Calizo.jpg O grupo quer usar o prêmio para puxar o restante do portfólio da vinícola. "O prêmio é de um vinho, mas pode ajudar a apresentar melhor todo o portfólio da vinícola e a história que existe por trás de cada rótulo", diz. Segundo Pérez, quem procura o Calizo costuma logo passar a perguntar sobre Gualtallary, a vinícola e a possibilidade de visitar a região.

A venda dos vinhos cabe a uma gerência comercial própria da Huentala Wines. Pérez, que comanda o Sheraton Mendoza desde 2015 e preside a filial mendocina da Associação de Hotéis de Turismo, trabalha em sintonia com essa área. Além da vinícola, o grupo tem três hotéis no centro de Mendoza: Sheraton Mendoza, Huentala Hotel e Hualta Hotel, Curio Collection by Hilton, que produz vinho no próprio hotel. Completam o grupo os restaurantes La Cabrera e Rastro by Huentala Wines. "Não pensamos o prêmio como uma ferramenta para simplesmente vender mais quartos. Pensamos nele como uma porta de entrada para uma experiência maior."

Os negócios também se conectam na experiência do hóspede. Quem fica em um dos três hotéis pode usar os serviços dos outros dois. No Hualta, o conceito Wine Inclusive leva a experiência da vinícola para o centro da cidade, e a proposta se estende ao Valle de Uco, onde estão a Huentala Wines e o Rastro. Para Pérez, o modelo responde a uma mudança no perfil do viajante de alto padrão, cada vez menos interessado em colecionar destinos. "Quer autenticidade, quer conhecer pessoas, quer comer bem, quer entender a origem de um produto, quer ter contato com cultura e natureza. E, principalmente, quer voltar para casa com uma história para contar."

O Brasil é prioridade nas duas pontas do negócio. A Huentala Wines já vende no mercado brasileiro, e o grupo espera que o título ajude a comunicar a qualidade dos rótulos. Nos hotéis, os brasileiros representam cerca de 40% dos hóspedes em 2026, e a estadia média desse público é aproximadamente o dobro da registrada entre as demais nacionalidades. "O Brasil é absolutamente estratégico para nós, tanto para o vinho quanto para o turismo", afirma.

Na visão do executivo, uma frente alimenta a outra. "Alguém pode conhecer um Huentala no Brasil e depois decidir conhecer a vinícola em Gualtallary", diz. Na mesa, o grupo aposta na afinidade do brasileiro com a gastronomia argentina: no La Cabrera e no Rastro, os cortes de carne são pensados para acompanhar o vinho. "Queremos aprofundar cada vez mais nossa relação com o Brasil, não apenas para vender vinho, mas para convidar o brasileiro a viver Mendoza."

Além do mercado brasileiro, o grupo avalia oportunidades na América Latina, na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. Para Pérez, o desafio agora vai além de vender mais garrafas. "O desafio é transformar essa atenção em desejo de viagem. Que a pessoa pense: 'Eu quero conhecer o lugar de onde vem esse vinho'."

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