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Le Prince mira 2 milhões de garrafas em 2027

"A gente não veio para ser mais um rótulo", diz Lucca Sapucaia, cofundador da Le Prince, marca de vinhos ligada a Neymar e ao Master of Wine Dirceu Vianna Jr.

25 de setembro de 2026
Le Prince mira 2 milhões de garrafas em 2027
Dirceu Vianna Júnior e Neymar se uniram para criação da linha Le Prince

A Le Prince, marca de vinhos ligada a Neymar, já vendeu entre 450 mil e 500 mil garrafas desde seu lançamento, em 25 de junho de 2026, e projeta atingir a marca acumulada de 1 milhão de garrafas até o primeiro trimestre de 2027, com uma produção adicional estimada entre 1,5 milhão e 2 milhões de garrafas ao longo do próximo ano. Os números foram apresentados por Lucca Sapucaia, cofundador da Le Prince e executivo da JLX, empresa responsável pela estruturação do negócio.

A JLX é uma empresa de modelagem e estruturação de negócios que já desenvolveu outras iniciativas com Neymar e sua família, incluindo dois empreendimentos imobiliários e um projeto de inteligência artificial em parceria com a Fly Media, startup que recebeu um aporte de US$ 20 milhões do fundo Kaszek, o mesmo que investiu no Nubank. A conexão entre a JLX e o jogador se dá por meio de João Celso de Moraes, sócio da empresa e amigo de Neymar desde as categorias de base do Santos. Segundo Sapucaia, a Le Prince é a primeira operação de consumo tocada diretamente pela JLX; antes, a empresa havia atuado apenas em licenciamento de marca, como no setor de óculos.

Lucca Sapucaia, cofundador da Le Prince Lucca Sapucaia, Le Prince editada.png A entrada no mercado de vinhos partiu de um estudo interno que identificou a categoria como uma das poucas bebidas com crescimento simultâneo de volume e ticket médio no Brasil, em contraste com outras categorias de bebidas, segundo a JLX. A partir desse mapeamento, a empresa identificou Dirceu Vianna Júnior, o único Master of Wine brasileiro, como um diferencial ainda não explorado por outras marcas de celebridades no setor. Segundo Sapucaia, nenhuma outra "celebrity wine" do mercado tinha, até então, um rótulo assinado por um Master of Wine, ainda que algumas contassem com avaliação de profissionais com o título.

Le Prince Vinhos portfólio.jpeg

O portfólio da Le Prince é dividido por linhas identificadas por cores, segmentação emprestada do universo do uísque. A linha de entrada, "Le Prince Red", reúne um branco e um tinto chilenos desenvolvidos em blend autoral por Dirceu Vianna Júnior em parceria com a vinícola Terraustral, a partir de testes cegos voltados ao paladar brasileiro; segundo Sapucaia, o blend foi patenteado e é de uso exclusivo da marca. A linha "Le Prince Black" avança para rótulos espanhóis, um Albariño de Rías Baixas e um tinto produzido com a Bodegas Faustino, em Rioja , enquanto a "Le Prince Green" inclui um tinto francês de Châteauneuf-du-Pape e o Abadía Retuerta, da Ribera del Duero, região próxima à do Vega Sicília — vinho espanhol associado à imagem de Neymar desde 2018, quando uma publicação do jogador nas redes sociais elevou as buscas pelo rótulo internacionalmente.

No topo do portfólio está a linha "Le Prince Blue", voltada a colecionadores e consumidores de alta renda, com garrafas que podem chegar a R$ 50 mil. A coleção é produzida em parceria com a SGC, vinícola boutique de Saint-Émilion Grand Cru, em Bordeaux, e reúne garrafas numeradas que remetem a gols marcantes da carreira de Neymar. Foi dessa linha que saiu a garrafa arrematada por R$ 600 mil no Leilão Beneficente do Instituto Projeto Neymar Jr., em 3 de agosto de 2026, em formato Impériale, de seis litros — a mesma peça citada por Sapucaia como parte da aproximação da marca com o instituto do jogador.

Segundo Sapucaia, o modelo de negócio da Le Prince evita a prática comum de encarecer produtos associados a celebridades; em vez disso, a empresa afirma usar a exposição midiática do jogador e a autoridade técnica de Dirceu Vianna Júnior como moeda de negociação com as vinícolas parceiras, buscando condições comerciais que permitam trazer rótulos validados internacionalmente a preços mais acessíveis. Sapucaia cita o Abadía Retuerta como exemplo, afirmando que a Le Prince é hoje uma das compradoras mais baratas do rótulo no mundo, resultado de uma parceria que inclui ativação de marca e associação de imagem, e não apenas a compra do produto.

Do volume total vendido, cerca de 70% é destinado ao mercado brasileiro, com o restante distribuído entre Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, além de primeiros pedidos para China e Japão. Segundo Sapucaia, a expectativa é que essa proporção evolua para um equilíbrio de 50% a 50% no médio prazo, dado o consumo per capita de vinho significativamente maior nos países vizinhos, mas o foco da empresa neste momento permanece na consolidação do mercado brasileiro, sem planos imediatos de expansão para Europa ou Ásia.

Sobre expansão de portfólio, Sapucaia afirmou que a marca avalia adicionar um espumante brasileiro à linha, dada a força do produto no mercado interno, mas descartou, por ora, o desenvolvimento de um champanhe da região francesa de Champagne — projeto que, segundo ele, está no radar da empresa, mas não é prioridade neste momento. A marca não contratou agência de branding externa — segundo Sapucaia, a identidade da Le Prince foi criada integralmente pela equipe interna da JLX. A empresa participou da feira APAS em maio e terá presença de apoio ao estande da Bodega Faustino na ProWine, com plano de atuação própria no evento a partir do próximo ano.

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