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Varejo

Brancos e baixo álcool puxam lançamentos da ProWine

Nordeste, Serra Gaúcha e Argentina concentram as novidades; leveduras nativas trazem “assinatura aromática única”, diz enólogo da UVVA

12 de outubro de 2026
Brancos e baixo álcool puxam lançamentos da ProWine
Nova identidade visual e grandes apostas: a renovada linha Procedências da Cooperativa Vinícola Aurora — que inclui o inédito Blanc de Blanc Nature e a versão desalcoolizada, ambos 100% Chardonnay —, apresentada na ProWine São Paulo.

Brancos de altitude, vinhos de baixo teor alcoólico ou sem álcool e espumantes de gama alta concentraram os lançamentos da sétima ProWine São Paulo, encerrada na quinta-feira (8) no Expo Center Norte. A feira, que recebeu mais de 25 mil visitantes e 2 mil produtores de 43 países, serviu de vitrine para vinícolas brasileiras da Serra Gaúcha ao Vale do São Francisco, para importadoras que renovam portfólio para o fim de ano e para produtores europeus em busca de distribuição no país.

A Cooperativa Vinícola Aurora, que completa 95 anos em 2026, ampliou a linha Procedências com o Blanc de Blanc Nature, primeiro espumante da marca nessa categoria, e uma versão desalcoolizada, ambos 100% Chardonnay. A linha ganhou também nova identidade visual. A cooperativa apresentou ainda o Reserva Alvarinho 2025, de vinhedos da Serra Gaúcha acima de 500 metros de altitude, vendido a R$ 54,90 no e-commerce e com chegada ao varejo prevista para o segundo semestre, e a safra 2020 do Millésime Cabernet Sauvignon. Décima terceira edição de um rótulo criado em 1991 e produzido apenas em safras excepcionais, o vinho tem preço médio de R$ 298 e recebeu 92 pontos de Tim Atkin. A Aurora projeta alta de cerca de 10% nas vendas de espumantes no fim de ano em relação a 2025.

O Grupo Famiglia Valduga levou o Maria Valduga Nature e o 130 D.O.V.V., primeiro espumante da marca com Denominação de Origem Vale dos Vinhedos, além do Mundvs Chile 2022, de seu projeto internacional. A aposta das vinícolas gaúchas na categoria tem respaldo no consumo. Entre 75% e 78% do espumante vendido no país é nacional, segundo a ProWine. “O brasileiro tem a percepção de que o espumante é bom”, afirmou Malu Sevieri, diretora da feira, à Consumidor Moderno.

O Nordeste, responsável por 7,32% da produção nacional de vinhos, chegou com novidades das três viticulturas praticadas na região. No Vale do São Francisco, a Vinhos Botticelli, que completa 40 anos, lançou o espumante 40 Anos Extra Brut, 100% Chardonnay, e o Edição Limitada Caboclo de Lança 2024, corte de Malbec, Cabernet Sauvignon, Petite Syrah e Alicante Bouschet. A Garziera apresentou o Seven Baixo Álcool, com 7% de teor alcoólico e castas brancas mediterrânicas, além do Chardô e do Chenin Barricado, fermentados e envelhecidos em carvalho francês. A Rio Sol renovou a identidade de seus espumantes e lançou dois rótulos sem álcool à base de uvas da família Moscato.

Na Chapada Diamantina, a UVVA, de Mucugê (BA), passou a elaborar seu Chardonnay Microlote com leveduras nativas e incluiu um licoroso no portfólio. Segundo o enólogo Marcelo Petrolli, a mudança busca a máxima expressão do terroir e reforça a mineralidade do solo. Em Garanhuns (PE), a Mello Vinícola estreou o tinto Sete Laços Corte Bordalês, com Cabernet Franc, Malbec e Merlot de um vinhedo implantado em 2022 a cerca de 850 metros de altitude. Da Serra da Mantiqueira (MG), a Vinícola Rio Manso apresentou o Olhar da Onça 2023, vinho de inverno premiado no exterior, enquanto prepara a abertura de seu enoturismo.

O segmento de baixo álcool também ganhou reforço entre as importadoras. A Amitié lançou a linha BeLow, voltada a vinhos de menor graduação. Segundo Sevieri, há um ano os vinhos sem álcool eram encontrados apenas em lojas muito especializadas, com duas ou três opções, e hoje já aparecem com regularidade nos supermercados. A Henkell Freixenet, que estreou no país em 2022 com um contêiner de 13 mil garrafas de espumante sem álcool, viu o segmento chegar a 9% de suas vendas no Brasil no ano passado.

A Argentina ampliou a oferta de brancos além do Malbec. A Terrazas de los Andes destacou o Grand Reserva Chardonnay e a Kaiken lançou a linha Divina, com Torrontés e Chardonnay de altitude do Vale do Uco produzidos com agricultura regenerativa. A World Wine trouxe o Sophenia Altosur Sauvignon Blanc e o Otronia Lagunar Gewürztraminer 2023, e a La Pastina apresentou o Andeluna Raíces Torrontés Dulce Natural 2025 e o Andeluna 1300 Torrontés 2024, além dos vinhos da recém-incorporada González Byass. Os brancos são hoje a categoria de maior crescimento percentual no país, segundo a organização da feira. Entre os tintos, a novidade que mais chamou a atenção do trade foi a Zico Wines, linha premium criada pelo ex-jogador Arthur Antunes Coimbra, o Zico, em parceria com a Bodega Brujerías, de San Rafael, em Mendoza. A coleção, produzida em lotes limitados, reúne os cortes Malbec & Tempranillo e Syrah & Carignan e o Malbec Gran Reserva.

Zico vinho Prowine 2026.jpeg Entre os europeus, maisons familiares de Champagne, como a de Marion e Laurent Liébart, vieram à feira em busca de importador, com cuvées elaboradas a partir de castas históricas e raras, como Arbane, Petit Meslier e Pinot Blanc. Portugal destacou os vinhos do Alentejo, com a CVRA, e rótulos de Vinho Verde, e a Alemanha, por meio do VDP, apostou na diversidade de estilos de Riesling e Pinot Noir.

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