O portal B2B do trade de vinhos no Brasil
Publicidade
Produtores

Hernanes aposta em Nebbiolo e Timorasso no Piemonte

Ex-meia do São Paulo prevê primeiro Nebbiolo para 2028; "Eu queria plantar uma uva branca sem ser Chardonnay", diz sobre a Timorasso

14 de outubro de 2026
Hernanes aposta em Nebbiolo e Timorasso no Piemonte

Dez anos depois da primeira safra, Anderson Hernanes prepara a maior mudança no portfólio da Ca' del Profeta, sua vinícola em Montaldo Scarampi, na província de Asti. O ex-meia do São Paulo, da Lazio e da Inter de Milão, também com passagem pela Seleção Brasileira, plantou há quatro anos duas castas novas na propriedade, a tinta Nebbiolo e a branca Timorasso. A primeira vinificação da Nebbiolo está prevista para a colheita de 2027, e o vinho deve chegar ao mercado entre 2028 e 2029, conforme o tempo de afinamento. "Se 2027 for a colheita, ele ficaria pronto ali em março ou abril de 2028. Mas ainda não sei se vou fazer mais um envelhecimento em barrica ou se vou fazer o Nebbiolo somente no aço inox", afirma.

A Nebbiolo é a casta do Barolo, vinho que Hernanes já apontava como sonho em entrevistas anteriores. A denominação Barolo DOCG, no entanto, é restrita a vinhos produzidos em 11 comunas das Langhe, na província de Cuneo. Como a Ca' del Profeta fica em Montaldo Scarampi, na província de Asti, o novo tinto terá de ser comercializado com outra designação, ainda que use a mesma casta e o mesmo método de elaboração. "Ainda que eu tenha a uva que faz o Barolo e faça o mesmo processo de vinificação, não posso chamar o vinho de Barolo", diz Hernanes. A designação que constará no rótulo ainda está em definição.

Hernanes uvas 4 vale.jpeg A escolha da Timorasso também leva a casa para além das uvas tradicionais de Asti. A variedade é uma antiga branca autóctone do Piemonte, ligada aos Colli Tortonesi, nas colinas de Tortona, na província de Alessandria. Quase desapareceu por ser exigente no cultivo, com produção irregular e sensibilidade à podridão, e foi recuperada a partir do fim dos anos 1980, sobretudo pelo trabalho do produtor Walter Massa. Dá brancos encorpados, de boa acidez e grande capacidade de envelhecimento, com aromas de pera, pêssego, flores e mel que, com o tempo, evoluem para notas minerais e de hidrocarbonetos, como em alguns Rieslings. Derthona, nome frequentemente associado a esses vinhos, é o antigo nome de Tortona. "Ela está bem na moda aqui na Itália. Eu queria uma branca sem ser Chardonnay, pensei em Viognier, mas no final decidi por essa", conta Hernanes.

Hernanes comprou a propriedade em 2015 e fez a primeira safra em 2016. Ele procurava uma casa com jardim e vista para as colinas, mas o imóvel veio com 4,5 hectares de vinhedos que já produziam havia cerca de 20 anos. Hoje a vinícola soma 5,5 hectares, com a compra de mais um hectare. A produção gira em torno de 10 mil garrafas por ano, com variações conforme a safra; em alguns anos, parte da uva é vendida. O portfólio atual reúne Barbera, Grignolino e Brachetto. A vinificação ainda é feita em uma cantina parceira da região, indicada pelos antigos proprietários. Hernanes já comprou um espaço para ter a própria adega, mas ainda faltam adaptações e a compra dos equipamentos. Cerca de um terço da produção vem para o Brasil, onde os vinhos chegam por meio de um importador parceiro e são vendidos principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Na Itália, o próprio Hernanes faz o trabalho comercial em restaurantes e lojas de Turim. "Eu não vou na freguesia do mercado. Conheço um cara que representa os vinhos, ele gosta e começa a trabalhar. Eu vou no ritmo da Ca' del Profeta mesmo", diz.

Hernanes horizontal 2.jpeg O restaurante Ca' del Profeta e as cinco suítes da propriedade abriram em 10 de junho de 2021, depois de quatro anos de obras e de um ano e meio de espera por causa da pandemia. O restaurante integra a seleção do Guia Michelin, que destaca a cozinha piemontesa contemporânea, baseada em receitas tradicionais e ingredientes sazonais. O público é formado principalmente por clientes de Milão e Turim, a uma hora e meia e a uma hora de distância, respectivamente. Entre os estrangeiros, os mais frequentes são noruegueses, suecos, holandeses e americanos. Grupos brasileiros chegam por meio de agências de turismo, com hospedagem, experiências de gastronomia e vinho e visitas a outras vinícolas. A gestão é da mulher de Hernanes, e a casa também recebe casamentos, batizados e outros eventos. "Nossos clientes não estão muito ligados ao futebol, estão ligados realmente à parte culinária", afirma.

Publicidade
Compartilhar:

Newsletter

Receba as principais notícias do trade de vinhos diretamente no seu email.

Artigos Relacionados