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Wine Locals traça o mapa do enoturista brasileiro

Levantamento apresentado no Fórum de Enoturismo das Américas identifica nove perfis de consumo e revela hábitos de compra do turista do vinho no país

14 de agosto de 2026
Wine Locals traça o mapa do enoturista brasileiro
Matheus Vigel, CCO da Wine Locals, apresentou um perfil do enoturista brasileiro com base nos dados de 1,2 milhão de visitantes do site da empresa

Uma das apresentações do I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, realizado em São Paulo nessa quinta-feira, dia 13,, trouxe um retrato inédito do consumidor de enoturismo no Brasil. Com base na fala de Matheus Vigel, CCO da Wine Locals, o levantamento identificou nove perfis de consumo e revelou hábitos de compra do turista do vinho no país, mostrando que o setor começa a deixar de ser guiado por intuição para se apoiar em dados de comportamento.

Fundada em 2020, no auge da pandemia, a Wine Locals se consolidou como um marketplace de experiências e portal de conteúdo do setor, sem atuar na venda direta de garrafas. Com uma base ativa de 150 mil enoturistas, mais de 1,2 milhão de visitantes anuais na plataforma e 110 mil experiências transacionadas no último ano, a empresa mapeou o perfil psicográfico do consumidor brasileiro para apoiar o trade turístico na criação de produtos mais assertivos. A metodologia, baseada em pesquisas com 30 mil usuários da base e em dados comportamentais de navegação, dividiu a jornada do enoturista em três níveis evolutivos e nove perfis de consumo.

O primeiro nível, batizado de Iniciante, responde por 31% dos tickets e reúne o público motivado por curtir uma experiência sem compromisso — o maior em volume, que escolhe pelo lazer e não pelo vinho em si, tendo preço e ludicidade como critérios centrais. O ticket médio é de R$ 138,00. Dentro desse grupo estão os Amantes do Suave, que preferem vinhos doces ou de mesa e buscam simplicidade sem pressão de degustação; os Monotemáticos, que evitam riscos e se atêm a formatos e produtos tradicionais; e os Ocasionais, cujo consumo está totalmente atrelado ao contexto social, com preferência por atividades ao ar livre para celebrar datas em grupo.

O segundo nível, o Entusiasta, concentra metade dos tickets (50%) e representa o principal público-alvo trabalhado pela plataforma — motivado a ampliar repertório e "preencher o álbum de figurinhas" do vinho. Esse grupo planeja viagens com foco direto em vinícolas, tem alta recorrência e aceita pagar mais por conteúdo, bagagem cultural e experiências exclusivas, com ticket médio de R$ 190,00. Nele estão os Curiosos, que já ganharam afinidade com a bebida mas ainda buscam confiança, preferindo vinhos fáceis de beber e experiências guiadas; os Desbravadores, que buscam ativamente o que foge do óbvio e pagam por raridade, origem e histórias de produtores, organizando roteiros de viagem inteiramente focados em enoturismo; e os Curadores, que já têm bagagem, atuam como influenciadores em seu círculo social e gostam de revisitar vinícolas conhecidas para explorar novos produtos. É nessa transição entre níveis que Vigel enxerga o principal desafio do mercado: "assim como no vinho, onde o paladar não retrocede, o mesmo acontece com o enoturista: quando ele entra nesse universo e avança de nível, ele quer continuar vivenciando novas experiências."

Wine Locals Horizontal ago26.jpeg No topo da pirâmide está o Expert, responsável por 18% dos tickets e o de maior valor agregado, com ticket médio de R$ 265,00. Motivado a viver o vinho em sua singularidade, esse público busca visitas técnicas, degustações de safras antigas, acesso direto a enólogos e produtores, e viagens a regiões menos exploradas pelo grande público. Compõem esse nível os Enófilos, que priorizam profundidade técnica e fazem do vinho um ritual frequente, com preferência por degustações guiadas de barrica e comunidades de nicho; os Premium, que enxergam o vinho como extensão do estilo de vida e do status, priorizando conforto, gastronomia gourmet e atendimento VIP; e os Profissionais, do universo B2C e B2B, que acompanham o mercado e viajam com propósito de estudo, análise de custo-benefício e networking.

Ao tratar da diferenciação de produto, Vigel defendeu que vinícolas e regiões abandonem a lógica de oferta única: "não adianta tentar entregar um único produto para todos os perfis de enoturistas, porque você não vai atender nenhum deles bem. É preciso entender quem é seu público-alvo de verdade." O executivo também defendeu a cooperação regional como caminho de crescimento: "no enoturismo, uma andorinha só não faz verão. As vinícolas e regiões precisam trabalhar de forma conjunta, porque quando a maré sobe, todos os barcos sobem juntos."

Além do mapeamento psicográfico, a apresentação trouxe métricas operacionais que ajudam a entender a dinâmica de compra do enoturista brasileiro. A antecedência média de compra é de apenas 8 dias no Brasil, contra 23 dias no Uruguai — um indicativo de decisão mais impulsiva no mercado nacional, e que, para Vigel, expõe uma fragilidade estrutural: "o enoturismo brasileiro ainda é muito pautado na oportunidade: a nossa antecedência média de compra é de apenas oito dias. O mercado precisa se planejar para educar o turista a programar suas viagens com antecedência." A concentração semanal também chama atenção: 55% das experiências ocorrem no fim de semana, sendo 42% delas concentradas no sábado. O acesso à plataforma é majoritariamente mobile, com 90% das buscas feitas por celular, e o grupo médio de compra é de duas pessoas, com predominância de casais. Em relação à origem dos compradores, o estado de São Paulo lidera, seguido por Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro. A receita do setor também vem mudando de composição, com crescimento do share de eventos, festivais e vindimas frente aos tours tradicionais.

Para apoiar vinícolas no desenvolvimento de novas propostas enoturísticas, a Wine Locals recomenda filtrar os produtos por quatro critérios de validação: relevância, ou seja, se a oferta atende a um interesse real do público final e não apenas ao gosto pessoal do produtor; legitimidade, se a marca possui autoridade e propriedade para falar sobre a proposta; atratividade, se o produto entrega uma experiência desejável e inspiradora; e diferenciação, se a experiência se distingue da oferta dos vizinhos na mesma região.

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